Móveis Coloniais, os heróis da resistência
A “feijoada búlgara” quase azedou de tanto esperar. Os Móveis Coloniais de Acaju entraram com mais de duas horas de atraso. Mas para fazer a festa azedar precisava bem mais que isso. Que tal, então, a luz acabar e o som não funcionar? Nada pode detê-los. O vocalista André Gonzales convenceu: “Passaram 30 anos de rock aqui nesse palco, agora é nossa vez”. Até a grade que separava a Área VIP foi retirada. Afinal, o som dos Móveis é para todos os gostos.
Estava tudo conspirando contra, mas eles resistiram. Desceram do palco, se juntaram ao público e iniciaram uma espécie de show “unplugged” enquanto os técnicos davam um jeito no palco. Cantaram Seria o rolex e até Raul Seixas ali mesmo, na voz e na coragem. A galera, sempre receptiva quando o assunto é a banda, deu aquela força e foi junto. Mais rock and roll, impossível.
Quando o clima ficou bom na roda, hora de subir ao palco. A “feijoada búlgara”, expressão carinhosamente usada quando se refere à mistura de sons do Móveis, deu certo. Que venha o show propriamente dito: U-hu, O tempo, Cheia de manhã e outras conhecidas fizeram parte do repertório animadíssimo. Mesmo debaixo da chuva fina e do frio da madrugada, o público não ousou sair. Teve gente ainda entrando de carro no gramado em frente ao palco, em plena Esplanada! Ok, parece lenda urbana, mas foi um “show drive-in”. A trupe brasiliense deixou a cena aos gritos de “mais uma” logo após a saideira com a música Adeus. André Gonzales ainda fez o convite: “Vamos tomar café da manhã na Viçosa, galera!?”. Eram 4h40 da matina!
Assim terminou a 12ª edição do Porão do Rock, com muito tempero à base de simpatia, alegria e carisma. Que venha o próximo festival!
Por Karla Freire
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